Não é de hoje que a comunidade universitária clama por democracia na USP. Há 75 anos estamos sob o julgo de uma pequena minoria que se apóia no mérito para ter a Universidade que lhes interessa, com uma estrutura que permite práticas de nepotismo e sustentação de interesses individuais. Atualmente, nossa estrutura de poder consegue ser mais autoritária do que a que havia na ditadura militar em 1968, quando a representação discente nos colegiados correspondia a 1/5, ou 20%.
Historicamente, as “eleições” para reitor, que ocorrem de quatro em quatro anos, foram marcadas por um contraponto às eleições indiretas feitas por menos de 1,7% da comunidade universitária. Esse contraponto é a consulta feita a estudantes, funcionários e professores, onde, na prática, a maioria faz o que uma minoria se recusa a fazer: abrir o voto a todos. Consideramos que não é o voto pelo voto, mas o que o ato de votar proporciona: parar, diagnosticar e interferir em nossa própria realidade. A realização do nosso voto democrático (realizado por milhares e não por apenas mil pessoas) colocaria a própria estrutura em xeque: pois ela optaria pelo voto meritocrático de mil, enquanto milhares se colocariam contra essa escolha.
Infelizmente, esse ano o movimento estudantil optou por se calar e não interferir em sua própria realidade, ao optar pelo boicote às eleições e pela não utilização de um instrumento usado historicamente para mobilizar aqueles que nem sequer conhecem as caras dos candidatos. Porém, nós do Movimento Democracia na USP Já! acreditamos que o movimento estudantil tem agido de maneira restrita não só nesse ano, mas durante algum tempo.
Em 2009, essa prática se repetiu mais uma vez pois o movimento, direcionado pelo DCE, agiu com descaso com as mais diversas realidades presentes em nossa universidade, em seus campi e unidades. As assembléias gerais ocorriam por puro assembleísmo, desconsiderando a mobilização das unidades e os informes dos campi do interior, e mesmo da EACH e de Pinheiros. O ano de 2009, apesar da mobilização construída aos trancos e barrancos, prometia muito mais do que o movimento estudantil da USP pode dar resposta.
Nossa reitora teve sua autoridade questionada após colocar a Polícia Militar dentro do campus para mediar um conflito essencialmente político e, em ano eleitoral (momento de brecha no poder), o que o movimento estudantil fez? O boicote puro e simples, reflexo da maneira simplista que muitos encaram o mundo e que não deu conta de informar e mobilizar aqueles que sentiram vergonha e indignação da USP sitiada em junho passado.
O “Fora Suely!” foi entoado pelos “Blusas Amarelas”, que começaram um movimento para que todos que fossem por Diretas para Reitor, pela saída de Suely e pela saída da PM do campus vestissem blusas amarelas, dando cara e corpo a um movimento que impulsionou o “Democracia na USP Já!” e por uma consulta democrática que desse voz aos estudantes sobre a escolha de nosso próximo reitor.
A falta de democracia na USP e no movimento estudantil não pairam no ar, eles interferem diretamente na nossa vida. A impossibilidade de reestruturar o currículo de nossos cursos, de afastar um professor que caiu de pára-quedas em nosso departamento, de garantir que conquistas de permanência estudantil sejam colocadas em prática, etc, também são consequências da falta de democracia existente em toda a USP e também em nosso movimento estudantil, que atualmente se encerra em si, e não consegue ser amplo o suficiente para dar conta de uma forte resposta a tudo que nos é colocado diariamente.
Vamos juntos mudar essa história!
A negação da possibilidade do estudante se expressar sobre o futuro de sua Universidade (através da negação da consulta) é algo tão autoritário e antidemocrático como a estrutura de nossa Universidade. E é por saber disso que o movimento Democracia na USP Já! decide disputar o rumo do movimento estudantil da USP pela formação de uma chapa para as eleições do DCE 2010. Só um movimento estudantil democrático pode ser amplo o suficiente para termos força para democratizar a Universidade. Venha junto com a gente, construir a democracia dentro da USP!!!
Mande suas sugestões, críticas ou dúvidas para democracianauspja@gmail.com
É muito importante que o Movimento Democracia na USP Já esteja na disputa pelo DCE da USP. Precisamos buscar a democracia no Movimento Estudantil, pois, só assim, conseguiremos buscar a democracia na Universidade!
Não conheço todas as chapas que estão competindo, mas a “Para transformar o tédio em melodia” tem isto como objetivo principal (democratizar o movimento estudantil): http://transformartedioemmelodia.wordpress.com/2009/11/12/manifesto-da-chapa-para-transformar-o-tedio-em-melodia/
http://transformartedioemmelodia.wordpress.com