No próximo dia 20/10 a USP passará pela 1ª fase do processo de escolha do/a novo/a reitor(a). Essa eleição, que ocorre a cada 4 anos, em 2009 será, sem dúvida, histórica. A gestão atual da profª. titular Suely Vilela explicitou quão antidemocrática é nossa Universidade, e quão distante estão as instâncias de poder da maioria da comunidade universitária. Desde os decretos que levaram à ocupação da reitoria e à greve em 2007, a Univesp (Ensino à distância) e a entrada da PM no Campus Butantã neste ano, até as “regras de conduta” e “normativas” que se espalham por vários campi, são exemplos de como os órgãos que tomam as principais decisões da USP não consideram a participação real de estudantes, funcionários e professores. Além disso, outro fator nos apresenta por que essas eleições são históricas: todos os candidatos deste pleito, de alguma maneira, apresentam em seu programa críticas à situação da democracia universitária. Porém, o compromisso com a nossa verdadeira inserção e participação, é ausente na maioria destes.
E como Piracicaba enfrenta a estrutura de poder?
Atualmente, em muitos cursos da USP, da Capital ao Interior, os estudantes estão se deparando com normativas e regimentos disciplinares, sem que nos seja dada a oportunidade sequer de dizer o que pensamos a respeito. O regime disciplinar na ESALQ foi uma decisão tomada sem a participação dos estudantes, determinando qual comportamento deveriam ter com seus espaços e mesmo entre si. E se é possível que situações como essa aconteçam, é por conta da estrutura antidemocrática de poder da USP, que permite que a palavra final sempre seja dada apenas pelos professores titulares, ainda que diga respeito ao cotidiano de outros sujeitos da Universidade. As movimentações na ESALQ que realizaram a assembléia de estudantes e a manifestação pacífica no dia da reunião da Congregação mostraram que podemos questionar e enfrentar esse poder estabelecido através de organização e ousadia. Através da proposta de construção conjunta de uma política de convivência para o campus, os estudantes da ESALQ mostraram também que tem responsabilidade com a Universidade, e se dispõem não só a opinar, mas também a construí-la. Esse fato demonstra que nós, estudantes, temos condição e somos capazes de construir mobilizações conseqüentes e propositivas para a nossa Universidade e sobre o que ela representa na sociedade.
Democracia entre os estudantes
Frente ao cenário, o que nós estudantes, podemos fazer para conquistar maior participação nas decisões da USP? Os estudantes podem cumprir um importante papel, tomando conhecimento da situação e intervindo nela. E esta conquista só poderá acontecer se contarmos com uma entidade de representação estudantil que esteja presente em todos os cursos, em todos os campi, cumprindo o papel de integrar as diversas realidades na mesma direção. Porém, a atual gestão do DCE, “Nada Será Como Antes”, demonstrou não reconhecer a devida importância que a entidade deve ter entre os estudantes. Ao longo do ano, não se atentou às reais questões dos estudantes, na Capital e no Interior, e, quando esteve presente nos cursos, optou por deixar em segundo plano as discussões e problemas das unidades e campi, que também são fruto de uma estrutura de poder antidemocrática. Agora, neste processo eleitoral, dificulta nossa participação ativa na luta pela democracia, optando pelo boicote às eleições para reitor,
Não podemos ficar de fora! Queremos interferir nos rumos da nossa Universidade! Queremos votar pra Reitor!
No sentido de tentar consolidar um movimento estudantil mais democrático e participativo, o Movimento Democracia na USP já! realizará a consulta pública sobre as eleições para Reitor entre os estudantes. Por isso convidamos a todos/as a conhecerem os candidatos e a exercitarem o nosso direito de ter voz e voto! Vamos manifestar nossas idéias e dizer que queremos poder votar para reitor!