No próximo dia 20 ocorre o primeiro turno para as eleições para reitor da USP. Ao longo do ano ficou evidente a falta de democracia em uma das maiores universidades públicas da América Latina ao ter sido chamado a tropa de choque para reprimir o movimento social que reivindica melhores condições para a educação pública. Ao invés de dialogar com o conjunto da comunidade acadêmica, a reitoria se fechou e colocou a força militar para intermediar o diálogo. Essa disparidade é ainda mais clara no processo de escolha do novo reitor.
E a EEL com isso?
Além disso, vemos como a falta de participação dos estudantes, funcionários e professores na tomada de decisão sobre os rumos da USP se expressa nos diversos campi e, no caso, em Lorena. Apesar da antiga FAENQUIL ter sido incorporada à USP em 2006, seus docentes e funcionários não o foram, sendo quadros em extinção na Secretaria de Desenvolvimento. Dessa forma, perdem direitos como, por exemplo, o reajuste salarial negociado com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Públicas (CRUESP). Ampliou-se o número de vagas, contudo o investimento nas universidades estaduais mantém os 9,57% do ICMS.
Já no que tange as políticas de permanência estudantil, vemos que nada foi feito. Hoje, finalmente, está sendo construído o “bandejão”, ainda que não se saiba quando ficará pronto. O transporte para os alunos dos dois campi de Lorena é bastante ruim, principalmente para os estudantes de Eng. De Materiais, que possuem apenas dois horários para levá-los ao DMAR que é o mais afastado da cidade e ficam dependentes de carona para ir embora durante a tarde, pois não há linha de volta. Igualmente preocupante foi o fato de que, ao voltarem às aulas no dia 17 de setembro, os estudantes da EEL descobriram que seu plano de saúde fora cortado. E a moradia estudantil, quando teremos? A falta de assistência estudantil é uma das fortes causas para a evasão, principalmente dos estudantes de baixa renda.
É certo que todas essas questões deviam ser divulgadas e debatidas amplamente não só entre os estudantes, mas entre professores e funcionários também. Mais ainda por se tratar de uma universidade que se pretende pública. No entanto, a gestão do DCE, “Nada Será Como Antes”, não informou e tampouco envolveu os estudantes nesse importante momento, priorizando apenas sua autoconstrução.
Contudo, essa semana faremos as próprias eleições pra reitor dos estudantes, abrindo espaço para nossa participação e intervenção de forma a lutar também pela democracia no movimento estudantil. Só nosso envolvimento e mobilização podem garantir real participação das três categorias da universidade e assim fazer com que nossas demandas sejam não só ouvidas, mas de fato atendidas. Somente assim, poderemos combater esse quadro de incorporação “pela metade” e dizer bem alto que a EEL também é USP!
Democracia na USP Já!